Quando olho à volta vejo toda a gente com um plano. Menos eu. Não sei de mim. Talvez seja uma doença. Um síndrome. Talvez seja também essa a razão pela qual não cresço. Talvez a criança dentro de mim nunca irá partir e estou presa num corpo meio que adulto, obrigada a tomar decisões e a perseguir caminhos que uma criança não conhece.
Estou no último ano da minha licenciatura, e o meu currículo está vazio e isso preocupa-me. Sinto que faço tudo porque tenho de fazer, e não porque quero. Oh, quero lá eu saber de empregos. Quero lá eu saber de política, economia e todos esses assuntos aborrecidos. Quero é viver a vida! - seja lá isso o que for. Eu quero é ser feliz. Simples também, que toda esta complexidade está a acabar comigo, pedaço por pedaço.
Porque é que o nosso maior inimigo somos sempre nós próprios? Estou cansada de lutar pelas duas partes.
-inês pais
