quarta-feira, 29 de junho de 2016

depois do fim

 Foste aquilo que mais me magoou. Não foi o contigo, foi o sem ti.
 A cada ano que passa lembro-me menos, e penso que esqueci tudo. Não te vejo e estou bem. Segui a minha vida. Tu seguiste a tua, mas isso já se sabia. O que tu não sabes é que tudo me cai quando te vejo. Não sei o que sinto, mas sei que sinto. Então todo o trabalho inconsciente que é feito em mim pela tua ausência é perdido, e apercebo-me de que, não sei como, estás sempre presente em mim. Escondido, mas estás. Não quer isto dizer que ainda gosto de ti.  Como disse, não sei o que sinto, só sei que sinto. E dói. Sabes porquê? Porque cheguei à conclusão que talvez tu tenhas sido o amor da minha vida.
 Nunca me doeu tanto, como doeu o teu adeus. Mesmo continuando a ver-te todos os dias depois disso, nada me curou. Pelos vistos, nada mesmo. Agora então que te vejo de ano em ano ainda nada me tirou este sentimento estranho.
 Será que também pensas? Será que também te lembras? O mais provável é que, mesmo que te lembres, não te lembras como eu. Não o viveste como eu vivi. Dei tudo de mim e agora não tenho nada para dar. Não me arrependo, e sei que infelizmente faria tudo de novo, mas queria não ter feito, porque agora tenho este sentimento estranho que ninguém me o tira. Consegues tirar-mo? Talvez um dia nos encontremos e me ensines a viver sem ele.
- inês pais